Biografia de Muhammad (parte 3 de 12): As Primeiras Revelações

 

Foi por essa época que o Profeta começou a ter sonhos agradáveis que se provaram verdadeiros.  Ele também começou a sentir uma necessidade crescente por solidão, e isso o levou a buscar reclusão e meditação nas montanhas rochosas que cercavam Meca.  Lá ele se retirava por dias, levando provisões, e retornava para sua família para mais provisões.  No calor do dia e durante as noites claras do deserto, quando as estrelas pareciam afiadas o bastante para penetrar o olho, sua própria substância se saturava com os ‘sinais’ nos céus, para que ele servisse como um instrumento totalmente adequado para uma revelação já inerente nesses ‘sinais’.  Foi então que ele passou por uma preparação para a enorme tarefa que seria colocada sob seus ombros, a tarefa da missão profética e de transmitir a verdadeira religião de Deus para seu povo e o resto da humanidade.
 
Veio em uma noite no final do mês sagrado de Ramadã, a noite conhecida pelos muçulmanos como Laylat-ul-Qadr, a ‘Noite do Decreto’.
 
Caverna de Hira (vista aérea).  O Profeta Muhammad costumava meditar nessa caverna com frequência.  As primeiras revelações do Alcorão vieram para ele aqui.
 
O Profeta Muhammad estava em solidão na caverna no Monte Hira.  Foi surpreendido pelo Anjo da Revelação, Gabriel, o mesmo que tinha vindo para Maria, a mãe de Jesus, que o segurou em um abraço.  Uma única palavra de comando irrompeu sobre ele: ‘Iqra’  - ‘Leia![1]’  Ele disse: ‘Não sei ler!’  mas o comando foi emitido mais duas vezes, cada vez com a mesma resposta do Profeta.  Finalmente ele foi pego com força esmagadora pelo anjo.  Gabriel o libertou e a primeira “recitação” do Alcorão foi revelada a ele:
 
“Lê, em nome do teu Senhor Que criou; Criou o homem de algo que se agarra.  Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo, Que ensinou através do cálamo, Ensinou ao homem o que este não sabia.” (Alcorão 96:1-5)
 
Assim começou a magnífica história da revelação final de Deus para a humanidade até o fim dos tempos.  O encontro de um árabe, quatorze séculos atrás, com um ser do campo do Invisível foi um evento de tamanha significância que moveu povos inteiros em toda a terra e afetou as vidas de centenas de milhões de homens e mulheres, construindo grandes cidades e grandes civilizações, provocando o confronto de poderosos exércitos e fazendo surgir da poeira beleza e esplendor antes desconhecidos.  Também trouxe multidões aos Portões do Paraíso e, além disso, para uma visão beatífica.  A palavra Iqra, ecoando ao redor dos vales do Hijaz, quebrou o molde no qual o mundo conhecido era modelado; e esse homem, sozinho entre os rochedos, colocou sob seus ombros o fardo que teria esmagado as montanhas se tivesse sido colocado sobre elas.
 
O Profeta Muhammad estava com quarenta anos e havia alcançado a idade da maturidade.  Pode-se dizer que o impacto desse encontro tremendo desfez sua substância.  A pessoa que ele tinha sido era como uma pele queimada pela luz, e o homem que desceu da montanha e buscou refúgio nos braços de sua esposa Khadija não era o mesmo homem que a subiu.
 
Naquele momento, era como um homem perseguido.  Quando desceu, ouviu uma grande voz gritando: ‘Muhammad, tu és o Mensageiro de Deus e eu sou Gabriel.’  Ele olhou para cima e o anjo encheu o horizonte.  Para onde quer que se voltasse, a figura estava lá, inescapavelmente presente.  Ele correu para casa e gritou para Khadija: ‘Cubra-me! Cubra-me!’ Ela se deixou, colocou um manto sobre ele e assim que ele se recobrou um pouco contou a ela o que havia acontecido.  O Profeta temia por si mesmo.  Ela o abraçou e confortou:
 
“Nunca! Por Deus, Ele nunca o desgraçará.  Você mantém boas relações com seus parentes, ajuda os pobres, serve seus hóspedes de forma generosa e ajuda aqueles atingidos por calamidades.” (Saheeh Al-Bukhari)
 
Ela viu em seu marido um homem que Deus não humilharia por causa de suas virtudes e honestidade, justiça e por ajudar aos pobres.  A primeira pessoa na face da terra a acreditar nele foi sua própria esposa, Khadija.  Imediatamente ela foi ver seu tio Waraqa, um estudioso da Bíblia.  Depois de ouvir o relato da experiência de seu marido, Waraqa o reconheceu das profecias da Bíblia como sendo o profeta esperado, e confirmou que o que apareceu para ele na caverna era de fato o anjo Gabriel, o Anjo da Revelação:
 
“Esse é o Protetor de Segredos (Gabriel) que veio para Moisés.” (Saheeh Al-Bukhari)
 
O Profeta continuou a receber revelações pelo resto de sua vida, memorizadas e escritas por seus companheiros em pedaços de couro de ovelha e o que mais estivesse a mão.
 
O Alcorão ou “Recitação”
 
As palavras trazidas a ele de Gabriel são consideradas sagradas pelos muçulmanos e nunca são confundidas com aquelas que ele próprio emitiu.  As primeiras são o Livro Sagrado, o Alcorão; as segundas são o Hadith ou Sunna do Profeta.  Como o anjo Gabriel recitou o Alcorão oralmente ao Profeta, o Livro Sagrado é conhecido como Alcorão, “A Recitação”, a recitação do homem que não sabia ler.
 
Footnotes:
[1] A palavra ‘leia’ em árabe tem conotações de ler e recitar.


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