Jesus, filho de Maria (parte 4 de 5): Jesus Realmente Morreu?

 

A idéia de Jesus morrendo na cruz é fundamental à crença cristã.  Representa a convicção de que Jesus morreu pelos pecados da humanidade.  A crucificação de Jesus é uma doutrina vital no Cristianismo; entretanto, os muçulmanos a rejeitam completamente.  Antes de descrever o que os muçulmanos acreditam sobre a crucificação de Jesus, pode ser útil entender a reação islâmica à noção de pecado original.
 
Quando Adão e Eva comeram da árvore proibida no paraíso, não foram tentados por uma serpente.  Foi Satanás quem os enganou e persuadiu e, sendo assim, eles exerceram seu livre arbítrio e cometeram um erro de julgamento.  Eva não carrega sozinha o fardo do erro.  Juntos, Adão e Eva perceberam sua desobediência, sentiram remorso e imploraram pelo perdão de Deus.  Deus, em Sua infinita misericórdia e sabedoria, os perdoou.  O Islã não tem o conceito de pecado original; cada pessoa é responsável por suas próprias ações.
 
“E nenhum pecador arcará com culpa alheia;” (Alcorão 35:18)
 
Não é necessário Deus, um filho de Deus, ou até mesmo um Profeta de Deus se sacrificar pelos pecados da humanidade para comprar o perdão.  O Islã recusa totalmente essa opinião.  A fundação do Islã reside em saber com certeza que não devemos adorar nada, exceto Deus.  O perdão emana do Verdadeiro Deus Único; então, quando uma pessoa busca perdão, deve se voltar para Deus de forma submissa, com remorso verdadeiro, e implorar perdão, prometendo não repetir o pecado.  Então, e somente então, os pecados serão perdoados.
 
À luz do entendimento islâmico do pecado original e perdão, podemos ver que o Islã ensina que Jesus não veio para expiar os pecados da humanidade; ao contrário, seu propósito era reafirmar a mensagem dos Profetas antes dele. 
 
“..  Ninguém tem o direito de ser adorado exceto Deus, o Único e Verdadeiro Deus...”  (Alcorão 3: 62)
 
Os muçulmanos não acreditam na crucificação de Jesus, nem acreditam que ele morreu.
 
A Crucificação
 
A mensagem de Jesus foi rejeitada pela maioria dos israelitas e também pelas autoridades romanas.  Aqueles que acreditaram formaram um pequeno grupo de seguidores ao seu redor, conhecidos como os discípulos.  Os israelitas tramaram e conspiraram contra Jesus e formularam um plano para que fosse assassinado.  Era para ser executado em público, de uma forma particularmente horrível, conhecida no Império Romano: crucificação.
 
A crucificação era considerada uma forma vergonhosa de morrer e os “cidadãos” do Império Romano estavam isentos dessa punição. Foi designada não apenas para prolongar a agonia da morte, mas para mutilar o corpo.  Os israelitas planejaram essa morte humilhante para seu Messias – Jesus, o mensageiro de Deus.  Deus em Sua infinita misericórdia impediu esse evento abominável ao colocar a semelhança de Jesus em outra pessoa e ascender Jesus vivo, em corpo e alma, para os céus.  O Alcorão é silencioso sobre os detalhes exatos de quem era essa pessoa, mas sabemos e acreditamos com certeza que não era o Profeta Jesus.
 
Os muçulmanos acreditam que o Alcorão e as narrações autênticas do Profeta Muhammad contêm todo o conhecimento que a humanidade precisa para adorar e viver de acordo com os mandamentos de Deus.  Sendo assim, se pequenos detalhes não são explicados, é porque Deus em Sua infinita sabedoria julgou que esses detalhes não são benéficos para nós.  O Alcorão explica, nas palavras do próprio Deus, a conspiração contra Jesus e Seu plano para lograr os israelitas e ascender Jesus aos céus.
 
“Porém, (os judeus) conspiraram (contra Jesus); e Deus, por Sua parte, planejou também.  E Deus é o melhor dos planejadores.” (Alcorão 3:54)
 
“E por dizerem: ‘Matamos o Messias, Jesus, filho de Maria, o Mensageiro de Deus.’ Embora não sendo, na realidade, certo que o mataram, nem o crucificaram, senão que isso lhes foi simulado.  E aqueles que discordam, quanto a isso, estão na dúvida, porque não possuem conhecimento algum, abstraindo-se tão-somente em conjecturas;  Porém, o fato é que não o mataram.  Outrossim, Deus fê-lo ascender até Ele. Porque é Poderoso, Prudentíssimo.” (Alcorão 4:157-158)
 
Jesus Não Morreu
 
Os israelitas e as autoridades romanas não foram capazes de ferir Jesus.  Deus diz claramente que elevou Jesus até Ele e o livrou das afirmações falsas feitas em nome de Jesus.
 
“Ó Jesus!  Por certo que porei termo à tua estada na terra; ascender-te-ei até Mim e salvar-te-ei dos incrédulos...” (Alcorão 3:55)
 
No versículo anterior, quando Deus disse que “elevaria” Jesus, usou a palavra mutawaffeeka.  Sem um entendimento claro da riqueza da língua árabe, e conhecimento dos níveis de significados em muitas palavras, é possível entender mal o que Deus disse.  Na língua árabe de hoje a palavra mutawaffeeka é às vezes usada para denotar morte, ou até sono.  Nesse versículo do Alcorão, entretanto, o significado original é usado e a abrangência da palavra denota que Deus elevou Jesus até Ele, completamente.  Portanto, ele estava vivo em sua ascensão, em corpo e alma, sem qualquer injúria ou defeito.
 
Os muçulmanos acreditam que Jesus não está morto, e que voltará para esse mundo nos últimos dias antes do Dia do Juízo.  O Profeta Muhammad disse a seus companheiros:
 
“Como estarão quando o filho de Maria, Jesus, descer entre vocês e julgar pela Lei do Alcorão e não pela lei do Evangelho?” (Saheeh Al-Bukhari)
 
Deus nos lembra no Alcorão que o Dia do Juízo é um Dia que não podemos evitar, e nos alerta que a descida de Jesus é um sinal de sua proximidade.
 
“E (Jesus) será um sinal (do advento) da Hora.  Não duvideis, pois, dela, e segui-me,  porque esta é a senda reta.” (Alcorão 43:61)
 
Consequentemente, a crença islâmica sobre a crucificação de Jesus e sua morte é clara.  Houve uma conspiração para crucificar Jesus, mas não foi bem sucedida; Jesus não morreu, mas ascendeu aos céus.  Nos últimos dias que precederem o Dia do Juízo, Jesus retornará a esse mundo e continuará sua mensagem.


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