A História de Adão (parte 2 de 5): A Criação de Eva e o Papel de Satanás

 

Adão abriu seus olhos e olhou para o belo rosto de uma mulher que o olhava fixamente.  Adão estava surpreso e perguntou à mulher por que ela havia sido criada.  Ela revelou que foi para aliviar sua solidão e trazer-lhe tranquilidade.  Os anjos questionaram Adão.  Eles sabiam que Adão possuía o conhecimento de coisas que não sabiam, e o conhecimento do que a humanidade precisaria para ocupar a terra.   Disseram ‘quem é essa?’ e Adão respondeu ‘essa é Eva’.
 
Eva é Hawwa em árabe; vem da palavra raiz hay, que significa vivente.  Eva também é uma variante da antiga palavra hebraica Havva, que também deriva de hay.  Adão informou aos anjos que Eva recebeu esse nome porque ela foi feita de uma parte dele e ele, Adão, era um ser vivo.
 
As tradições judaicas e cristãs também sustentam que Eva foi criada da costela de Adão, embora em uma tradução literal da tradição judaica, costela às vezes se refira à parte lateral.
 
“E disse (o Senhor): ‘Ó humanos, temei a vosso Senhor, que vos criou de um só ser, do qual criou a sua companheira e, de ambos, fez descender inumeráveis homens e mulheres.’” (Alcorão 4:1)
 
As tradições do Profeta Muhammad relatam que Eva foi criada enquanto Adão estava dormindo de sua costela esquerda mais curta e que, depois de algum tempo, foi recoberta com carne.  Ele (Profeta Muhammad) usou a história da criação de Eva da costela de Adão como base para implorar às pessoas que fossem gentis com as mulheres.  “Ó muçulmanos! Eu os aviso para serem gentis com as mulheres, porque elas foram criadas de uma costela e a parte mais curva da costela é a superior. Se tentarem torná-la reta quebrará, e se a deixarem, continuará curva; então peço que cuidem das mulheres.” (Saheeh Al-Bukhari)
 
Morada no Paraíso
 
Adão e Eva moravam em tranquilidade no Paraíso.  Isso, também, está de acordo nas tradições islâmicas, cristãs e judaicas.  O Islã nos diz que todo o Paraíso era deles para que desfrutassem e Deus disse a Adão “habita o Paraíso com a tua esposa e desfrutai dele com a prodigalidade que vos aprouver...” (Alcorão 2:35). O Alcorão não revela a localização exata de onde era esse Paraíso; entretanto, comentadores concordam que não é na terra, e que o conhecimento de sua localização não beneficia a humanidade.  O benefício está no entendimento da lição dos eventos que ocorreram lá.
 
Deus continuou Suas instruções para Adão e Eva advertindo-os “...porém, não vos aproximeis desta árvore, porque vos contareis entre os iníquos.” (Alcorão 2:35). O Alcorão não revela que tipo de árvore era essa; não temos detalhes e buscar esse conhecimento também não traz benefício.  O que se entende é que Adão e Eva viviam uma existência tranquila e compreenderam que estavam proibidos de comer da árvore.  Entretanto, Satanás esperava para explorar a fraqueza da humanidade.
 
Quem é Satanás?
 
Satanás é uma criatura do mundo dos Jinns.  Os Jinns são uma criação de Deus feita do fogo.  São separados e diferentes tanto dos anjos quanto da humanidade; entretanto, como a humanidade, possuem o poder da razão e podem escolher entre o bem e o mal. Os Jinns existiam antes da criação de Adão[1] e Satanás era o mais virtuoso entre eles, tanto que foi elevado a uma alta posição entre os anjos.
 
“Todos os anjos se prostraram.  Menos Lúcifer, que se negou a ser um dos prostrados.  Disse (o Senhor): Ó Lúcifer, que foi que te impediu de seres um dos prostrados?  Respondeu: ‘É inadmissível que me prostre ante um ser que criaste de argila, de barro modelável.’ Disse (o Senhor): ‘Vai-te daqui (do Paraíso), porque és maldito!  E a maldição pesará sobre ti até o Dia do Juízo.’” (Alcorão 15:30-35)
 
O Papel de Satanás
 
Satanás estava no Paraíso de Adão e Eva e seu voto foi desorientá-los e enganá-los e a seus descendentes.  Satanás disse: “...desviá-los-ei da Tua senda reta. E, então, atacá-los-ei pela frente e por trás, pela direita e pela esquerda...” (Alcorão 7:16-17). Satanás é arrogante e se considera melhor que Adão e, portanto, que da humanidade. Ele é astucioso e esperto, mas entende a fraqueza dos seres humanos; reconhece seus amores e desejos.[2]
 
Satanás não disse a Adão e Eva “vão comer daquela árvore” nem disse claramente que desobedecessem a Deus.  Ele sussurrou em seus corações e plantou pensamentos e desejos inquietantes.  Satanás disse a Adão e Eva: “...Vosso Senhor vos proibiu esta árvore para que não vos convertêsseis em dois anjos ou não estivésseis entre os imortais.” (Alcorão 7:20). Suas mentes se encheram de pensamentos sobre a árvore, e um dia decidiram comer dela.  Adão e Eva se comportaram como todos os seres humanos; se preocuparam com seus próprios pensamentos e os sussurros de Satanás e esqueceram o aviso de Deus.
 
É nesse ponto que as tradições judaicas e cristãs diferem muito do Islã.  Em momento algum as palavras de Deus – o Alcorão, ou as tradições e ditos do Profeta Muhammad – indicam que Satanás veio para Adão e Eva na forma de uma cobra ou serpente.
 
O Islã de forma alguma indica que Eva era a mais fraca dos dois, ou que ela tentou Adão a desobedecer Deus.  Comer o fruto da árvore foi um erro cometido por ambos, Adão e Eva.  Eles têm a mesma responsabilidade.  Não era o pecado original mencionado nas tradições cristãs.  Os descendentes de Adão não estão sendo punidos pelos pecados de seus pais originais.  Foi um erro e Deus, em Sua infinita Sabedoria e Misericórdia, perdoou a ambos.
 
Footnotes:
[1] Al Ashqar, U. (2003). The World of Jinn and Devils (O Mundo dos Jinns e Demônios, em tradução livre). Islamic Creed Series. International Islamic Publishing House: Riyadh.
[2] Sheikh ibn Al Qayyim em Ighaathat al Lahfaan.


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